VELOCIDADE DE MOVIMENTO E PAUSA TENSIONAL NA EXECUÇÃO DOS EXERCÍCIOS DE MUSCULAÇÃO. TÉCNICAS QUE VOCÊ DESCONHECE

Especula-se e alguns concluem precipitadamente (por desconhecerem as pesquisas) que treinamento contraresistente realizado em baixas intensidades, com movimentos lentos e com pausas tensionais (tonic force) não provocam estímulos metabólicos suficientes para induzir a hipertrofia. Um estudo [1] investigou os efeitos que o exercício com estas características apresentou em 12 semanas de treinamento (3 séries, 3 vzs por semana) comparando-o com o realizado em velocidade considerada normal, alta intensidade e sem atividade muscular sustentada (pausa tensional, que desinformados se referem como "paradinha"). Os resultados sugerem que movimentos com 50% da carga máxima, 3 segundos na fase excêntrica e concêntrica e 1 segundo de pausa tensional não apresentaram diferenças no tamanho e força (área transversal determinada com ressonância magnética e força isométrica por contração voluntária máxima dos extensores do joelho) do músculo que os realizados a 80% da CM, 1 segundo em ambas as fases e sem pausa. Os pesquisadores sugerem que a semelhança nos efeitos hipertróficos se deve ao nível reduzido de oxigenação muscular periférica (pela reduzida velocidade e pausa tensional) durante o exercício e maior concentração de lactato sanguíneo; sendo assim, o nível reduzido de oxigenação do músculo e o aumento na concentração de lactato (que estimula o GH) no sangue são devido provavelmente, pelo menos em parte, à restrição do fluxo muscular sanguíneo durante o exercício e pode estar relacionado com os mecanismos de hipertrofia muscular. O estudo sugere que o efeito hipertrófico no músculo durante o exercício de resistência envolve não só grande estresse mecânico (como o imposto por cargas elevadas), mas também fatores metabólico, hormonal, e neuronal (recrutamento adicional de fibras de contração rápida em condição hipóxica) [2-4]. A questão ao observarmos os resultados do estudo é saber da eficácia também deste modelo de treinamento (usado há anos por treinadores renomados) quando se trata de hipertrofia, tanto quanto as formas tradicionais já empregadas e entender que é uma alternativa a ser usada para os que são impossibilitados de usarem grandes cargas ou um recurso válido para variação de estímulos nas fases de treinamento de indivíduos treinados. Pressupor por inapetência que esta ou aquela forma de conduzir o treinamento somente baseado em convicções pessoais é, no mínimo, uma conduta amadora e despreparada, especialmente quando não se leva em conta a interação de diferentes métodos dentro de uma mesma sessão de treino.   Referência 1-Tanimoto, Michiya, and Naokata Ishii. Effects of low-intensity resistance exercise with slow movement and tonic force generation on muscular function in young men. J Appl Physiol 2005. 2-Takarada Nakamura Y, Aruga S, Onda T, Miyazaki S, and Ishii N. Rapid increase in plasma growth hormone after low-intensity resistance exercise with vascular occlusion. J Appl Physiol. 2000. 3-Takarada Y, Takazawa H, Sato Y, Takebayashi S, Tanaka Y, and Ishii N. Effects of resistance exercise combined with moderate vascular occlusion on muscular function in humans. J Appl Physiol. 2000. 4-Takarada Y, Takazawa H, and Ishii N Applications of vascular occlusion diminish disuse atrophy of knee extensor muscles. Med Sci Sports Exerc. 2000.