A Mulher e a Musculação

Durante muito tempo, acreditou-se que musculação deixava seus praticantes com impotência sexual, interrupção do crescimento, efeitos masculinizantes em mulheres, mas, finalmente, os estudos científicos provaram o contrário, levando esses e outros preconceitos e tabus a caírem por terra. É evidente que ainda hoje existem pessoas sem informações suficientes que acreditam nesses efeitos e, cabe principalmente a nós, Profissionais de Ed. Física, formadores de opinião, informar à população leiga no assunto e nos informar sobre o que acontece em nosso meio através de revistas, cursos e dados cientificamente comprovados. Falando especificamente em um dos pontos críticos dessa falta de informação e orientação corretas, a musculação feminina, vejo que o preconceito contra essa modalidade faz com que muitas mulheres percam a oportunidade de esculpirem seus corpos com segurança, recorrendo, diversas vezes, a remédios e arriscados procedimentos cirúrgicos. Fazer musculação não significa que a mulher abra mão de outros recursos estéticos que são aliados da beleza feminina, mas que, dedicando parte de seu dia a uma atividade que produza um efeito relativamente rápido e de risco quase inexistente, essa mesma mulher agrega à prática física procedimentos que são necessários para o bom andamento do treinamento e de uma vida mais saudável, como por exemplo, boa alimentação.

Infelizmente ou felizmente, a sociedade brasileira explora muito a nudez feminina e isso leva outras mulheres a explorarem seus corpos de uma maneira saudável, a não terem medo daquilo que possuem, a descobrirem-se, cuidando de si mesmas não para os outros, mas para seu próprio bem-estar. A musculação, nesse caso, é uma prática esportiva extremamente eficaz, porque ao perceberem as mudanças positivas que inevitavelmente vão acontecer em seu físico, a valorização da auto-estima torna-se um dos principais fatores que contribuem para que muitas se entreguem sem medo a essa atividade física. Também é importante lembrar que uma das primeiras adaptações a um programa de exercícios é o decréscimo nos sintomas pré-menstruais normais, tais como crescimento das mamas, maior apetite, inchaço e alterações de humor. Mulheres ativas têm menos dificuldades com os sintomas pré-menstruais do que mulheres sedentárias.

Geneticamente, a mulher é diferente do homem, mas lógico que há pontos positivos e negativos nessa estória. Por a mulher ter uma maior quantidade de progesterona no sangue, hormônio que promove as características sexuais secundárias, sua distribuição de força, tônus muscular e gordura são diferentes da do homem. Assim, a mulher possui mais flacidez e consequentemente, maior acúmulo de gordura subcutânea em certas regiões do corpo como coxas, braços, abdômen e glúteos; têm menos massa muscular e por isso são menores, são mais flexíveis e, em contrapartida, os homens são maiores e mais fortes, mais resistentes porém menos flexíveis, têm recuperação muscular mais rápida que as mulheres mas, ambos têm uma coisa em comum: podem realizar treinos de mesma intensidade na musculação, sendo que as cargas utilizadas pelas mulheres serão obviamente menores.

Pensar que a mulher vai ficar musculosa em excesso é uma dúvida comum nas praticantes, mas as que não utilizam algumas substâncias com efeito anabólico e/ou não apresentem distúrbios hormonais não correm esse risco. Ganhar algum volume muscular não é tão ruim assim, mesmo porque esses mesmos músculos vão ser os principais aliados no processo de perda de gordura corporal (veja o artigo "Emagrecimento: esteira X halteres"), outro motivo pelo qual diversas mulheres procuram as academias. Querendo ou não, tanto homens quanto mulheres têm músculos e esses respondem aos estímulos musculares de igual forma, o que explica a semelhança que os treinos de ambos devem ter. A mulher que compete, a fisiculturista super-musculosa, tem uma preparação muito técnica e complexa para chegar a este ponto que muitas não querem e nunca vão chegar. Por isso não fique preocupada se seu professor lhe passar um treino intenso ou muito parecido com o de algum homem na academia; cada mulher é uma mulher diferente e não nego que algumas atletas têm traços masculinos, sendo que provavelmente fizeram uso de substâncias exógenas ou outros meios, porém, vocês têm que concordar comigo que há mulheres fortes, musculosas sem volume excessivo que são lindas, femininas, que causam inveja em outras, viram a cabeça dos homens e são, na maioria dos casos, o motivo pelo qual muitas procuram a musculação.

Comecem, desde já a seguirem um programa de treinamento sério, procurem uma boa academia onde trabalhem profissionais experientes e treinem com afinco e determinação.

Romney Dantas