AGACHAMENTO CONVENCIONAL E “OVERHEAD”: QUAL SUA RELAÇÃO COM A AÇÃO DOS OBLÍQUOS EXTERNOS E PARAVERTEBRAIS.

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Ontem alguém me indagou sobre um assunto que, confesso, não me deixou suficientemente seguro para responder de imediato; sendo assim, como de costume, pesquisei sobre uma possível explicação, a qual, em parte, pode ser a resposta do porquê de pessoas praticantes de algumas modalidades ostentarem uma cintura larga, com os oblíquos extremamente hipertrofiados e com a linha de cintura bastante comprometida.

Bem, como já abordado incansavelmente em posts anteriores, a hipertrofia é mediada por “n” fatores e o estímulo mecânico, o exercício, é um deles. Pois bem, a respeito de um movimento realizado sistematicamente em atividades como musculação e crossfit, um estudo analisou a atividade mioelétrica de alguns músculos da coxa, quadril, eretores da coluna e abdominais entre o agachamento convencional (barra nos ombros) e o “overhead” (agachamento segurando a barra acima da cabeça). Dentre alguns resultados, houve especial diferença na maior atividade dos paravertebrais no primeiro exercício (explicado pelo aumento do torque no quadril e na coluna) e dos oblíquos externos no segundo, o “overhead” (explicado pela intensa atividade do “core” para a condição de instabilidade da carga posicionada acima da cabeça). Caso haja o convencimento que a execução do segundo exercício realizada sucessivas vezes por dia, multiplicadas pelas semanas, meses e anos com cargas relativamente altas – e é nestes indivíduos bem treinados e competitivos que a característica de cintura larga se apresenta – contribua para a demasiada hipertrofia dos músculos laterais do tronco, a análise do estudo e seus resultados podem ser uma das explicações bastante plausíveis para o assunto, como também o questionamento se outros movimentos que solicitem igual e intensamente o trabalho dos oblíquos externos não contribuam em conjunto para o famoso quadro de “cintura de geladeira”.

Entendam que não é uma afirmação que somente uma variável (o exercício em questão) seja a única responsável pela característica estética, mas um dado interessante, que merece ser observado com atenção e parcimônia. Caso a informação não seja suficiente, mesmo porque não há comprovação do efeito crônico, desconsidere, mas pelo menos se questione sobre as causas do fenômeno apresentado nestes praticantes, mais facilmente observado nos do sexo feminino. Enfim, reflexões e impressões…

Referência
-Aspe RR, et al. Electromyographic and kinetic comparison of the back squat and overhead squat. J Strength Cond Res. 2014.