A RELAÇÃO DAS SOBRECARGAS NA COLUNA ENTRE STIFF E AGACHAMENTO E SUA IMPLICAÇÃO NA SEGURANÇA DO TREINO

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Agachamento e stiff. Exercícios poderosos e de fundamental importância para um pleno desenvolvimento da musculatura das pernas, mas quando se trata de realizá-los no mesmo treino, mesmo que espaçados por outros exercícios entre eles, particularmente tenho minhas ressalvas quando compartilham da mesma intensidade (entenda-se alta). Como são exercícios que envolvem importantes estruturas musculoesqueléticas e também submetem a coluna vertebral a cargas que podem chegar facilmente a valores de força compressiva de 424 kg para o stiff e 236 kg para o agachamento livre – valores resultantes dos exercícios realizados a 25% da carga máxima para 1 repetição – que são exponencialmente multiplicados com cargas mais altas utilizadas por praticantes avançados ou atletas, há uma série de considerações que devem ser observadas, em minha opinião. Uma das observações é sobre a pressão intradiscal exercida pelas cargas no momento mais crítico do movimento, que podem desenvolver e/ou agravar alguma patologia e gerar estresses musculares que podem evoluir para lesões plenamente evitáveis, caso estratégias como variação de intensidade dada a ambos os exercícios não seja respeitada, quando a opção for incluí-los na mesma sessão de treino. Outra recomendação é para aqueles que ainda insistem em treinar pernas dividindo anterior em um dia, posterior para o seguinte ou vice-versa; ora, para um treino avançado, é de conhecimento geral que os músculos envolvidos em um treino participem o minimamente possível nas sessões seguintes, visando uma recuperação mais rápida e adequada. Agora, sem entrar no mérito já discutido em outros posts meus aqui do IG sobre a eficácia de divisões de treino dessa forma, pergunto: quando realiza-se agachamento livre ou stiff hoje com intensidade relativamente alta (75-85%), como é possível em apenas 24 hrs as estruturas envolvidas nos movimentos estarem recuperadas para novamente serem acionadas? Agachamento hoje, stiff amanhã ou o contrário disso, é possível não perceber o alto nível de participação dos músculos eretores da coluna e a tremenda pressão longitudinal exercida sobre os discos intervertebrais? Especificamente a região da coluna lombar e os músculos dessa região estarão aptos e dispostos a exercerem a mesma intensidade nos treinos seguidos? E por quanto tempo até surgir algum problema que fatalmente limite quem assim persiste? Isso sem falar em outros grupos musculares como costas que utilizam as remadas e/ou terra, que exigem igualmente da musculatura e articulações vertebrais. Bem, cada um treina como entende, como considera correto e eficaz, mas em muitos casos, mesmo o mais eficiente para o desenvolvimento muscular talvez não seja o suportável por muito tempo para outras estruturas participantes dos exercícios, nem tampouco o que se deseja de um treino supostamente produtivo que pode levar a resultados desastrosos. Enfim impressões minhas.

Referências

1-Babak Bazrgari, et al. Analysis of squat and stoop dynamic liftings: muscle forces and internal spinal loads. Eur Spine Jounal. 2007.

2-ldsart Kingma; et al. Effect of a Stiff Lifting Belt on Spine Compression During Lifting SPINE. 2006

3-Zieger, S. A. Forcas internas na coluna vertebral durante a execucao de exercicios resistidos. 2010

4-Claudia Renata Cardoso Rothmann. Comparacao das cargas internas impostas a coluna vertebral com diferentes intensidades de carga no exercicio de forca stiff. Universidade Federal do Rio Grande do Sul

5-Nachemson, A. Morris, J. M. In vivo measurements of intradiscal discometry, a method for the determination of pressure in the lower lumbar discs. Journal of Bone and Joint Surgery American. 1964

6-Schoenenfeld, B. J. The mechanisms of muscle hypertrofy and their application to resistance training. Journal of Strength and Conditioning Research. 2000

7-Higbie, EJ, Cureton, KJ, Warren, GL ll, and Prior, BM. Effects of concentric and eccentric training on muscle strength, cross- sectional area, and neural activation. J Appl Physiol.1996.